Arcaneum

2. O Império de Zirk Ataca (16 de março)

Um alto barulho de microfonia ecoa pelo céu que amanhece em volta do Glass Cannon. Uma voz imponente de um oficial declara o ataque ao dirigível. Uma chance de rendição é dada àqueles que por ventura estivessem a bordo, mas não envolvidos com a tripulação. Os magos de Arcaneum decidem lutar ao lado dos companheiros. O jovem Ezequiel vira-se para os estudantes e afirma: "não importa o que aconteça, o Priest Greenwood precisa sobreviver".

Ouve-se diversos estampidos dentro do navio, revelando a materialização de três figuras do império. São humanoides, altos, trajando sobretudos imperiais de um escuro tom de azul com a camisa interna avermelhada e uma proeminente cartola. Do tronco para baixo, os membros são formados por ligamentos e placas de cobre avermelhadas. Um dos braços é igualmente metálico. Vestem também uma máscara de veludo esverdeada, com olhos vazados por uma grade. O que os diferencia são poucos detalhes: um deles traz consigo, como parte do corpo, uma corrente entranhada em seu braço esquerdo, que termina em um objeto metálico que pulsa em meio a fumaça e o tom alaranjado de metal em alta temperatura. O outro carrega um exoesqueleto metálico que serve de suporte para a coluna, com um cabo ligado à nuca, além de uma enorme manopla cheia de espinhos. O outro mais parece um brutamontes robótico: o corpo coberto de placas, circuitos e engrenagens que vibram e lançam faíscas elétricas. A batalha se inicia.




Após enfrentar os duros golpes da manopla do phantom rogue, o jovem Xavier cega-o com uma magia e aproveita da sua posição vulnerável para perceber, quase que como em um insight divino, que o cabo na nunca do inimigo parece um ponto fraco explorável. Ele usa de seu poder de telecinese para desconectá-lo do exoesqueleto, fazendo o adversário se desligar e ficar inconsciente. 

Após sofrer com xibatadas velozes da maça acorrentada do outro inimigo, Duck Tyler utiliza-se de suas aptidões físicas e mágicas para atacar o oponente: congelando-lhe a cabeça e fazendo uso da própria maça para contundir o crânio do phantom rogue. Consegue brilhantemente impedir um ataque dele à capitã do dirigível, que nesse momento encontrava-se concentrada tentando tirá-los daquela enrrascada. E, por fim, em uma tática esperta, decide correr ao redor da mesa da sala carregando a corrente atracada ao braço inimigo, a ponto de inutilizá-la. Por fim, congela com uma magia a maça fumegante, apenas para perceber que, na verdade, ela tinha o formato de um coração humano. O inimigo cai inconsciente no chão.

Enquanto isso, Xavier é atacado por uma ameaça invisível. Com seus poderes de identificação de magia, ele percebe que há um outro inimigo invisível no local – e que ele estava subindo em direção aos aposentos em que Priest Greenwood estava escondido no segundo andar do dirigível. Ele rapidamente sobe as escadas em espiral e defere um golpe mágico que atordoa e revela um rapaz jovem, com roupas simples, sem armadura ou apetrechos metálicos, mas que carrega um punhal em suas vestes. O rapaz encontra-se confuso, mas ao perceber que foi capturado, range e mastiga um de seus dentes, liberando um poderoso veneno que o faz convulsionar freneticamente. Ele vai a óbito em instantes.

Ezequiel e Gideon lutam contra o brutamontes robótico. Ezequiel agilmente se pendura por um gancho retrátil pelo dirigível para fugir dos golpes do porrete inimigo, enquanto o samurai golpeia quase inutilmente a carapaça metálica  do adversário. Com a ajuda de Duck, Xavier telepaticamente lança uma pesada escrivaninha contra o robô, fazendo-o despencar pela janela do navio e cair de uma grande altura no oceano. O clima de vitória toma conta de todos, mas por pouco tempo.

Uma distinta música, quase como um violino desafinado, começa a tocar. Os tripulantes do Glass Cannon parecem ter suas almas congeladas. Gideon sussurra: "É o Barão Von Jim". Quantos todos olham em direção ao dirigível inimigo, percebem um homem com armadura metálica: do seu capacete, por entre três fendas no metal, saem vapor e labaredas de chamas. Ele carrega sobre o ombro um enorme lança-míssel, que começa a atirar seus projéteis contra o Glass Cannon, fazendo-o explodir e entrar em queda livre.

Duck e Xavier gritam para América, perguntando-lhe se ela tem condições de manobrá-los contra um choque inevitável contra o oceano, para o qual a resposta é o delicado largar do timão. América estava parada, de costas para todos, na sala de pilotagem. Sem mover um músculo. Duck corre até ela, apenas para encontrá-la em transe: dos seus olhos, um brilho distinto, muito verde, irrompe pela sala. Os magos sentem a presença de uma forte aura mágica. Ouve-se um barulho repentino, como um chicote no ar, e o dirigível consegue planar por alguns centímetros antes de se chocar contra o mar violentamente. Em meio aos escombros, os tripulantes sofrem o impacto do acidente, mas logo percebem que precisam sair do dirigível, que está sendo preenchido rapidamente pela água do mar. Não se ouve mais os navios flutuantes dos inimigos.

Com a ajuda de um apetrecho de Ezequiel, um pequeno disco que se transforma em uma boia, os jovens aprendizes da magia conseguem ajudar Priest Greenwood a nadar até uma praia próxima. Todos chegam à beira-mar exauridos, prostrando-se na areia de maneira ofegante.

"Que dia lindo!" – Brada Duck Tyler com um maroto sorriso no rosto. Todos se espantam com o comentário. Quem faria um comentário assim após um perrengue tão grande? Bem, Duck Tyler faria. Xavier certifica-se de que todos estão bem.

"O que faremos agora?" – Pergunta Xavier.

"Bem, vocês estão entregues" – América diz, visivelmente exausta. Ela aponta praia adentro e os magos vêem um enorme portal entre duas árvores enormes. Os troncos das árvores estão repletos de cabanas e pequenas casas de taipa. "Esse é o porto: estamos próximos de Treefork, que fica  logo adentrando nessa floresta. Nós precisamos voltar para Zirk e cumprir nossa missão imediatamente. Agora que fomos descobertos, temos menos tempo ainda".




"Como vocês farão isso sem o dirigível?" – Perguntou Tyler.

Ezequiel prontifica-se a dizer que isso não será um problema e, do seu jeito divertido e sagaz, lança um olhar sobre os escombros do Glass Cannon, vai até uma estrutura metálica fincada na areia e a desenterra. Trata-se de uma cabeça de gorila de prata, objeto que os magos haviam visto em rápida exploração pelo dirigível anteriormente. Ele puxa a língua metálica desse gorila e, para a surpresa de todos e em meio a gritantes barulhos metálicos e de madeira, os escombros do Glass Cannon magicamente pairam no ar e começam a se reconstruir. Em segundos, o navio está
intacto.

Os magos observam a cena com perplexidade no olhar. Mas muitas outras dúvidas a respeito dos tripulantes eclodem em suas mentes.

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jpedrovas

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